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Segunda-feira, 16 de Julho de 2018

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Modismo alimentar: saiba por que os brasileiros aderem à prática

Uma pesquisa inédita mapeou as tendências e motivações que levam os brasileiros a adotarem modismos alimentares, como excluir glúten e lactose da dieta

17/12/2017

 

Não é de hoje que os modismos alimentares que recomendam dietas milagrosas e definem alimentos vilões e herois. Mas, nos últimos anos, a popularidade e adesão a essas crenças aumentou. Uma pesquisa inédita realizada com mais 1.500 brasileiros de todas as regiões do país mostrou que uma grande parcela da população está retirando de sua alimentação ingredientes como glúten e lactose, de forma indiscriminada, e buscando resultados “mágicos” em alimentos como batata-doce e óleo de coco, na esperança de alcançar um emagrecimento rápido. “Vivemos em uma sociedade imediatista com desejo de emagrecer. Os modismos alimentares surgem justamente daí, por possíveis estratégias para diminuição rápida de peso.”, diz Bianca Naves, nutricionista da Nutrioffice e membro da comissão de comunicação do Conselho Regional de Nutricionistas 3ª Região do Estado de São Paulo (CRN-3). De acordo com o levantamento, realizado pela área de Inteligência e Pesquisa de Mercado da Editora Abril a pedido da Nestlé, 19% dos entrevistados faz restrição parcial ou total do consumo de glúten, proteína presente em cereais como trigo, centeio e cevada. No entanto, apenas 4% das pessoas que evitam a substância têm doença celíaca, cujo tratamento depende diretamente da retirada do glúten da dieta. Já outros 30% disseram ter cortado o item simplesmente porque querem emagrecer. “A retirada do glúten da dieta entrou como um salvador da pátria. Mas é preciso entender que o emagrecimento não vem da restrição do glúten nem de qualquer alimento, e sim da redução das calorias.” Alimentos com glúten são a principal fonte de carboidrato e, portanto, o que dá energia ao corpo. Em longo prazo, além de ser difícil manter a restrição, a prática pode trazer riscos à saúde. Quando o assunto é lactose, 28% das pessoas que responderam à pesquisa disseram que fazem restrição total ou parcial do seu consumo. Entretanto, um total de 79% afirmou que nunca fez um teste de intolerância à lactose. O levantamento mostra também que 26% dos entrevistados resolveram cortar a lactose por conta própria, sem consultar um profissional de saúde, e 8% admitiram que tiraram esse nutriente da sua dieta por vontade de emagrecer. “Até quem tem intolerância à lactose pode ingerir, sem problemas, 12 gramas por dia. Os laticínios, além de ricos em lactose, são uma importante fonte de cálcio sem um substituo à altura. Restringir o consumo desses alimentos pode danificar a saúde por causar deficiência do mineral”, explica Bianca. Ainda segundo a pesquisa, os alertas “não contém glúten” e ”sem lactose” nas embalagens e anúncios contribuem para a falsa ideia de que alimentos sem essas substâncias são mais saudáveis. Muitos entrevistados citaram a sinalização como uma das razões pelas quais eles evitam esses componentes nos alimentos, por acreditam que ela significa riscos à saúde. É preciso ressaltar que, para pessoas saudáveis e sem problemas de saúde, o consumo de glúten e lactose não causa nenhum dano e, principalmente, parar de consumi-los não propicia a perda de peso. Em relação ao aviso nas embalagens, a medida segue uma normatização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que portadores de doença celíaca e pessoas intolerantes à lactose tenham um consumo mais seguro. A pesquisa mostra também uma maior adesão a dietas da moda, como a low-carb e a detox, para fins de emagrecimento ou para um estilo de vida mais saudável. Segundo Bianca, a dieta low-carb, que em português pode ser traduzida como ‘pouco carboidrato’, de fato tem um resultado efetivo na perda de peso a curto prazo. Por outro lado, como a premissa desse regime é a redução drástica de carboidratos, “ele é muito difícil e perigoso de ser seguido em longo prazo. Além de gordura, pode haver redução de massa muscular”, alerta a nutricionista. Já na detox, popularmente conhecida por supostamente realizar uma limpeza no organismo, não há benefício algum. “Não existe um alimento ou suco capaz de desintoxicar o organismo”, diz Bianca. Enquanto o consumo de alimentos com glúten e lactose foi reduzido, houve um aumento na ingestão de “alimentos da moda”, como batata-doce, presente da dieta de 61% dos entrevistados, óleo de coco (24%) e chia (28%). Eles são popularmente associados ao emagrecimento e à benefícios para a saúde. “O óleo de coco ganhou a crença de ser saudável, mas ele é rico em gordura saturada, que está associada à rapidez na absorção do metabolismo, mas também ao aumento do colesterol, se consumido em excesso. Além disso, é uma gordura cara. O ideal, para cozinhar, é variar nos óleos usados”, diz a nutricionista. Já a batata-doce, de fato, tem mais fibra que a batata inglesa e um índice glicêmico menor – é melhor aproveitada pelo organismo. No entanto, a quantidade de energia – calorias – é a mesma. Ou seja, se houver um excesso de batata doce na alimentação, a pessoa poderá ganhar peso. “O ideal é variar”, recomenda. A chia é um cereal caro e pouco conhecido até ser considerada um “superalimento”. “Ela de fato tem bastante fibra e gordura boa, mas não é algo gostoso e, o ideal, é incluir todos os cereais na alimentação e não apenas a chia”, diz Bianca. A nutricionista recomenda hidrata-la antes de ingerir para aproveitar melhor os efeitos de solubilização. Por exemplo, tomar uma bebida com chia hidratada aumenta a sensação de saciedade. A goji berry, aquela frutinha cor de rosa, desidratada, é outro item que ganhou popularidade. A pequena fruta é rica em vitamina C e em anti-oxidantes. No entanto, também é cara e difícil de encontrar. Uma saída é investir em morango e frutas vermelhas, que têm os mesmos benefícios e são mais acessíveis. “Aprender a comer com responsabilidade e sem radicalismo é a chave do sucesso. Mais importante que as calorias, é o equilíbrio entre os ingredientes e ter bons ingredientes.” “As pessoas sabem o que faz bem ou não, porém elas têm dificuldade de colocar na prática essa teoria e ter um nível nutricional mais equilibrado, mais saudável no dia a dia. O que pega é a mudança de comportamento e de hábito”, finaliza Bianca.

Fonte: Revista Veja, Ed. Abril

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